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Fonte: Século Diário (CLIQUE AQUI) Na última quinta-feira (18), o secretário de Segurança Pública de Defesa Social, Rodney Miranda, convocou a imprensa para fazer um balanço das ocorrências do carnaval 2010. Com os números na ponta da língua, o secretário não conseguiu esconder uma pontinha de orgulho e alegria ao anunciar os dados da violência no Estado. Rodney comemorou o recuo do número de homicídios desse carnaval na comparação com o de 2009. Segundo dados do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), foram registrados 31 assassinatos no carnaval de 2010 contra 37 do ano passado, uma redução de seis homicídios. O secretário, no entanto, preferiu não comentar o número de homicídios contabilizado pelo próprio Ciodes em janeiro deste ano, quando 197 morreram no Estado – 194 pessoas vítimas de homicídios e três de confrontos com a polícia. Os 197 homicídios de janeiro é o maior índice já registrado pelo Ciodes em um único mês nos últimos três anos. O índice mais próximo é o de abril de 2008, quando foram assassinadas 192 pessoas no Espírito Santo. No triênio, nenhum outro mês ultrapassou a casa das 190 mortes. O número de homicídios registrado em janeiro de 2010 (197) supera em 30% (152) o de 2008, e em 14% (173) o de 2009. Durante a coletiva, o secretário omitiu os dados escabrosos de janeiro para dar destaque à redução pífia de seis homicídios no carnaval. Mais grave, Rodney simplesmente ignorou os dados de homicídios de fevereiro deste ano, que também são alarmantes. Até a última quarta-feira (17), foram registrados 105 homicídios no Estado, o que representa uma média de 6,17 assassinatos por dia, ou uma pessoa morta a cada quatro horas. Em seguida, Rodney atribuiu os “bons resultados” (redução de seis homicídios) ao “esquema de segurança” planejado por ele antes do carnaval. “Não tivemos nenhum homicídio registrado em locais com eventos carnavalescos. E onde houve tentativas, a polícia rapidamente prendeu os suspeitos. Apesar do número, que continua alto, esta queda foi um bom resultado em comparação com o ano anterior”, comemorou em tom insolente o secretário. Para entender melhor o “esquema de segurança” armado por Rodney, basta fazer a seguinte dedução: o efetivo da polícia foi deslocado para as localidades que hospedavam a folia, onde não havia evento carnavalesco, consequentemente, não havia segurança. A lógica do secretário, segundo a sua própria explicação, é simples: onde houve carnaval não houve homicídio. Logo, resta a população, gostando ou não de carnaval, forçosamente, aderir à folia para “assegurar” a vida. Histórico de malogros Reiteradas vezes Século Diário vem alertando a população capixaba, por meio de suas reportagens, sobre a conduta desleal do secretário, que insiste em manipular dados para esconder os índices reais da criminalidade no Espírito Santo. Por exemplo, embora seja notório, o secretário nunca comentou que o Espírito Santo é, há anos, o segundo estado do Brasil com maior risco de uma pessoa ser assassinada. São quase 62 chances para cada grupo de 100 mil habitantes. O Estado só fica atrás de Alagoas, que fechou 2009 com 64 homicídios/100 mil habitantes. Nos municípios da Grande Vitória, o risco de morrer é ainda maior. De acordo com dados de 2009, o município de Serra, por exemplo, encerrou o ano com a assombrosa marca de 97 homicídios por 100 mil habitantes. Cariacica aparece em segundo, com 93/100 mil; Vila Velha segue em terceiro no ranking das cidades mais violentas do Estado, com 77/100 mil. Abaixo de 70 homicídios por 100 mil, mas ostentando números intoleráveis para os padrões brasileiros (média no País é de 25/ 100 mil), aparece Viana (66,6); Guarapari (64,4); Vitória (49,3) e Fundão (43,7). Os sete municípios da Grande Vitória juntos, que agregam uma população de cerca de 1,6 milhão de habitantes (dados estimados do IBGE para 2009), respondem pela taxa média de 77 homicídios por 100 habitantes, marca que supera, por exemplo, países como o Iraque e Afeganistão, que estão em conflito armado permanente. No início de 2010, com base nos dados dos 10 primeiros dias do ano, uma reportagem de Século Diário (Primeira parcial de janeiro mostra que violência está em ascensão no ES) alertava que o número de homicídios no Espírito Santo, diferentemente do que havia declarado o secretário Rodney Miranda, estava em franco crescimento. Mais uma vez, tentando enganar a população capixaba, Rodney anunciou, no início deste ano, que os números de homicídios de 2009 indicavam uma redução em todos os municípios da Grande Vitória, exceto em Vila Velha. O município canela-verde, inclusive, foi uma história à parte nessa manobra ardilosa do secretário Rodney Miranda de manipular e maquiar dados. No dia 11 de janeiro deste ano, a Sesp divulgou um relatório com os números de homicídios de 2009. Pouco à vontade para apresentar os dados que apontavam o aumento do número de homicídios de 2009 (2021, na verdade 2081) em relação a 2008 (1958), Rodney deu destaque para uma suposta redução (pouco mais de 3%) de homicídios na Grande Vitória. Desesperado em se apoiar em algo que desse a ideia de que sua gestão não foi de todo mal, Rodney também anunciou, em tom festivo, que Vitória conseguiu reduzir pelo quarto ano consecutivo o índice de homicídios. Não disse, porém, que a média de homicídios por 100 mil na Capital continuava beirando 50 (dobro da média nacional) e nem tampouco mencionou, mesmo já tendo conhecimento dos dados, que nos dez primeiros dias de 2010, Vitória já registrava oito homicídios. A marca colocava Vitória em terceiro lugar, atrás apenas de Serra (16) e Cariacica (13). O secretário, no entanto, preferiu apontar o dedo para Vila Velha (que nos 10 primeiros dias de janeiro de 2010 havia registrado quatro homicídios) e afirmar que o município canela-verde era o único da Grande Vitória que não havia conseguido reduzir o número de homicídios em 2009. Parte da imprensa comprou a ideia de Rodney e a “revendeu” dando ênfase ao mau resultado de Vila Velha, que ficou identificada como a cidade mais violenta do Estado. Na verdade, de acordo com os dados de 2009, Vila Velha é a terceira cidade mais violenta do Estado, com 77 homicídios para cada 100 mil habitantes. Portanto, bem atrás de Serra (97) e Cariacica (93). Rodney Miranda, pegando carona na pesquisa do Instituto Futura – que havia acabado de avaliar a administração do prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PR), como regular, em boa parte por causa da segurança, que recebeu a pior nota da população -, ratificou os resultados negativos de Vila Velha. Nas entrelinhas do seu recado era possível ler o seguinte: “Bem, se todos municípios da GV reduziram o número de homicídios e somente Vila Velha foi na contramão, o problema não é nosso, e sim de Vila Velha”. Para bom entendedor, a culpa pelo revés seria do secretário de Defesa Social de Vila Velha, Ledir Porto, que é concorrente declarado de Rodney à Câmara de Deputados nas próximas eleições. O governador Paulo Hartung, durante a prestação de contas que fez em janeiro na Assembleia Legislativa, também aproveitou o oportunidade para enfiar o dedo na ferida “plantada”. O governador cutucou o prefeito Neucimar Fraga e seu comandado Ledir Porto ao comentar que “alguns prefeitos” pensavam que iriam assumir as prefeituras e resolver o problema da segurança. Depois perceberam, continuou Hartung, que o problema é mais complexo do que eles imaginavam. Os números consolidados de janeiro de 2010 e parciais de fevereiro desmentem Rodney novamente e confirmam que o trabalho do secretário Ledir Porto vem surtindo efeito. De acordo com os dados divulgados pelo Ciodes, Vila Velha, dos quatro municípios mais violentos da Grande Vitória, foi o que apresentou o menor índice de homicídios: 21. Vitória e Serra, municípios elogiados pelo secretário, registraram, respectivamente, 22 e 38 homicídios. Cariacica ficou em segundo no ranking dos mais violentos, com 35 assassinatos. Novamente, contrariando as “análises” do secretário, o índice de homicídios na Grande Vitória continua em plena ascensão. No início do ano, Rodney chegou a comemorar, de olho nos maiores colégios eleitorais do Estado, que a redução do número de homicídios nos municípios da Região Metropolitana, embora pequena, já confirmava os resultados do programa de Enfrentamento à Violência, que o secretário prometeu levar Estado adentro para frear a violência no interior. O aumento do número de homicídios em janeiro de 2010, em relação ao mesmo mês dos anos de 2008 e 2009 é de 25 e 17%, respectivamente, o que confirma o crescimento da violência nos municípios da Grande Vitória. Contrariando as previsões do secretário, que apontavam a interiorização da violência como fator determinante para o aumento da criminalidade, o número de homicídios no interior caiu em janeiro. Foram duas mortes a menos em relação a janeiro de 2009 Caso o índice de janeiro se repita nos próximos meses do ano, a projeção é fechar 2010 com 2364 homicídios. Uma média aviltante de 70 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. |
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